Considerado o maior cronista visual do Brasil do século XIX, Jean Baptiste Debret nos deixou uma obra monumental que, ainda hoje, não encontra paralelo na iconografia brasileira. Nascido em Paris em 1768, cursou a Escola de Belas Artes, acabou formando-se engenheiro por consequência da Revolução Francesa e em 1814 recebeu o convite Joachin Lebreton para juntar-se à Missão Francesa que viria ao Brasil.
Ainda sem poder imaginar que aqui ficaria por 15 anos, Debret desembarcou em terra carioca em 1816, sendo nomeado pintor da Casa Imperial.
Um apaixonado pelo ambiente em que vivia e por tudo que acontecia à sua volta, nada escapara ao olhar minuscioso do pintor, que com seu bloco de esboços fazia um retrato fiel de tudo: dos nobres aos escravos, passando por seus animais e seus costumes, suas ruas e suas casas.
Todo este trabalho acabou culminando em quase duzentas gravuras do Rio, de São Paulo, do Paraná, de Santa Catarina e do Rio Grande do Sul.
De suas andanças pelo Brasil saiu a que talvez seja sua maior obra, "Voyage Pittoresque et Historique au Bresil", composta por 151 pranchas divididas em três edições sendo a primeira dedicada aos índios e às florestas, a segunda aos escravos e artesãos e a terceira aos costumes urbanos e acontecimentos políticos.
Irônico e eventualmente árduo, libertário e conservador, Debret conseguiu registrar os encantos de nosso país com o rigor de um historiador e a finesse de um artista inspirado. Um único quadro de Jean Baptiste Debret vale por um tratado.
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